UM JÚRI DE EXCELÊNCIA PARA UM PRÉMIO DE EXCELÊNCIA.
EXPERIÊNCIA, CONHECIMENTO, VISÃO CRÍTICA.

O júri, designado pela INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda, é composto por cinco personalidades de reconhecido mérito ligadas ao jornalismo, três elementos permanentes e dois a nomear em cada edição do prémio.

O Júri permanente é composto por Nicolau Santos, presidente da Agência LUSA, Manuel Carvalho, diretor do jornal PÚBLICO, e João Vieira Pereira, diretor do jornal EXPRESSO.

Nesta 1ª edição, os dois elementos de júri nomeados são Teresa de Sousa, jornalista do PÚBLICO, e Daniela Santo, jornalista reformada da RDP Madeira.

A todos eles agradecemos o seu contributo ímpar na dignificação do jornalismo.

CONHEÇA OS SEUS PERCURSOS E TESTEMUNHOS

Nicolau Santos

Presidente do Conselho de Administração da agência de notícias LUSA

Bio

66 anos, jornalista, presidente do Conselho de Administração da agência de notícias Lusa desde 21 de Março de 2018.

Comentador para assuntos económicos da RDP-Antena 1 desde Janeiro de 1998. Colunista dos Cadernos de Economia.

Membro cooptado do Conselho de Escola da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; exerceu as mesmas funções no Conselho de Escola do Instituto Superior Técnico e na Faculdade de Arquitectura (dois mandatos). Membro da Comissão de Aconselhamento Estratégico da Portulain Clarin – Infraestrutura da Educação para a Ciência e Tecnologia da Linguagem

Carreira: Editor de Economia da Agência ANOP. Co-fundador e posteriormente director do Semanário Económico e do Diário Económico. Director do jornal Público. Membro da direção do Expresso durante 19 anos, primeiro como subdiretor e depois como diretor-adjunto. Co-apresentador do programa da SIC-Notícias “Expresso da Meia-Noite” durante 15b  anos. Apresentou ou co-apresentou programas de televisão na RTP e na SIC Notícias. Colaborou com o Jornal de Notícias, O Jornal, TSF, O Independente, Exame.

Livros publicados

«Portugal vale a pena», Setembro de 2010, prefácio de Pedro Santos Guerreiro, Edição Caleidoscópio

Quatro livros de poesia a meias com António Costa Silva: «Jacarandá e Mulemba», 2008, Guimarães Editores; «Aroma de Pitangas num País que Não Existe», 2011, Arcádia; «Fotografias Lentas do Diabo na Cama», 2013, Arcádia; «No Interior da Pele a Geografia dos Poemas», 2018, edição dos autores.

«Discurso do Vendedor de Especiarias», poesia, edição do autor, 2018

Organizador do livro  «Pensar o Futuro: Portugal e o Mundo depois do Covid-19», Porto Editora, 2020

Moderador do livro «Deus e o Mercado, um diálogo provocador sobre religião e economia» entre o padre Vítor Melícias e o Prof. João César das Neves, Dom Quixote, 2020

Organização e seleção de poemas para o livro de poesia «Um alpendre no Bié», de António Costa Silva, Novembro de 2020, edição do autor

Distinções

Condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique (grau de comendador) pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, a 2 de Março de 2006; Medalha de Prata da Associação Industrial Portuguesa, por ocasião dos 170 anos da AIP, em 1 de Fevereiro de 2007; Sócio Honorário da Câmara de Comércio Indústria Portugal/Angola desde o dia 19 de Fevereiro de 2008; Prémio Pró-Autor da Sociedade Portuguesa de Autores pela divulgação da poesia portuguesa; Membro Honorário da Parsuk – Portuguese Association of Researchers and Students in the UK desde 18 de junho de 2016

Habilitações Profissionais

Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG)

Sobre o Prémio

“O Prémio Vicente Jorge Silva – Jornalismo de Excelência, lançado e patrocinado pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda surge num momento em que o jornalismo escrito em todo o mundo passa por uma situação extremamente difícil, com quebras acentuadas e consistentes do número de leitores e das receitas publicitárias. E no entanto, num quadro em que as novas gerações não leem jornais e existe uma avassaladora overdose informativa, nunca foi tão necessário o jornalismo de qualidade, que investiga, que explica, que analisa, que dá pistas ao leitor para compreender o mundo e que contribui para formar cidadãos mais conscientes, mais educados, mais cultos e mais capazes de resistir à desinformação e à manipulação informativa.
Em Portugal, o jornalismo escrito não escapa a estas tendências universais e a consequência tem sido a redução e o enfraquecimento do número de títulos na imprensa nacional e regional, a pauperização e a perda de memória das redações, a degradação das condições de trabalho, a cada vez menor capacidade para investigar demoradamente, a fragilização perante todos os poderes – e, como resultado, a acomodação das redações a um jornalismo imediatista, superficial, irrelevante.
Este prémio vem lembrar que não tem necessariamente de ser assim, que não deve ser necessariamente assim, que o grande jornalismo é um afrodisíaco poderoso para todos os que estão verdadeiramente apaixonados pela profissão e que vale a pena lutar por conseguir contar histórias melhores, mais interessantes, mais relevantes, que denunciam, que obrigam os poderes a atuar, que tornam o retângulo um sítio melhor para viver. É para isto que existe o jornalismo. É por isto que Vicente Jorge Silva lutou toda a vida. Este prémio visa incentivar o grande jornalismo e todos os que não desistem de o praticar.”

Sobre o Vicente Jorge Silva

“O Vicente foi o jornalista mais estimulante com que já trabalhei. Tinha uma curiosidade imensa, uma cultura vastíssima, um carisma incontornável e uma capacidade de liderança inquestionável. Ao mesmo tempo, tinha um enorme sentido de humor e ria-se de si próprio e de algumas coisas que fazia. Last but not least, era intrinsecamente uma excelente pessoa, apesar das suas fúrias homéricas e das suas zangas tempestuosas, que lhe passavam rapidamente.

Escrevia maravilhosamente bem e cada um dos seus textos era uma pequena jóia. Muitos deles ficam para a história do jornalismo em Portugal, até porque ele foi seguramente o jornalista que mais marcou o jornalismo em Portugal na segunda metade do século XX. Conseguiu transformar um pequeno semanário produzido na Madeira, «O Jornal do Comércio», num jornal com influência em Portugal e nas ex-colónias entre os círculos mais progressistas do país que contestavam o ambiente cinzento, bafiento e asfixiante em que se vivia. Com «A Revista», do jornal «Expresso», elevou o jornalismo português a um cosmopolitismo até aí desconhecido, em que o que se passava no mundo ou as transformações culturais ganharam espaço e muitas e excelentes reportagens, entrevistas, investigações e histórias. E mudou radicalmente o jornalismo diário obediente e bem comportado que se fazia em Portugal quando em 1990, com um grupo de jornalistas saídos do Expresso, lançou o Público. Dezenas e dezenas de grandes jornalistas que hoje se encontram espalhados por vários órgãos de comunicação social nasceram sob o seu entusiasmo e a sua paixão pelo grande jornalismo.

Para mim, o Vicente era e sempre será não um jornalista mas O JORNALISTA e tudo o que eu sempre quis foi conseguir fazer um décimo do excelente jornalismo que ele sempre fez.”

Manuel Carvalho

Director do jornal PÚBLICO

Bio

Manuel Carvalho nasceu em Alijó, Alto Douro, em 1965 e integrou a equipa da fundação do PÚBLICO. Estudou na Escola Normal do Porto e licenciou-se em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Com excepção de um breve período entre 1998 e 1999, no qual esteve no Diário Económico como Grande Repórter, desenvolveu toda a sua actividade profissional no PÚBLICO, onde foi subdirector e director adjunto (2000/2013), Redactor Principal, sendo director do jornal desde Agosto de 2018. Recebeu o Prémio Gazeta de Imprensa em 2014.

Sobre o Prémio

“Numa altura em que o jornalismo vive grandes desafios e é ameaçado por movimentos sombrios que dispensam os factos em favor da manipulação e do radicalismo, os exemplos fazem mais falta do que nunca. Um prémio com o nome do Vicente Jorge Silva é uma forma de garantir que, apesar de todos esses desafios, o jornalismo tem referências capazes de reforçar a sua credibilidade enquanto instância de fiscalização dos poderes e de defesa dos valores da democracia e do estado de direito.”

Sobre o Vicente Jorge Silva

“O Vicente tinha em doses abundantes três das mais cruciais qualidades de um jornalista: uma enorme lucidez alicerçada numa vasta cultura; uma capacidade de mobilizar pessoas notável; e, fundamentalmente, uma coragem cívica permanente que nos levava a acreditar que o jornalismo só faz sentido quando assume por completo a sua missão de intervir em favor de valores e do interesse colectivo.”

João Vieira Pereira

Director do jornal EXPRESSO

Bio

João Vieira Pereira iniciou a carreira de jornalista em 1997 fazendo parte da equipa que lançou o Canal de Negócios, primeiro site de informação económica em Portugal, e que mais tarde lançou o Jornal de Negócios. Passou pelo Semanário Económico, tendo sido também responsável pelo lançamento do site do jornal. Em 1999 passa a integrar a direção do Semanário Económico, primeiro como diretor adjunto e depois como diretor onde esteve até 2006, altura em que ingressou no jornal Expresso como editor da área de Economia. Assumiu a edição executiva do Expresso em 2007 e em 2008 assume o cargo de sub-diretor e em 2010 o cargo de diretor-adjunto. Acumulou ainda funções de diretor da Revista Exame.

Em Abril de 2019 assumiu a direção do Jornal Expresso.

Sobre o Vicente Jorge Silva

Vicente Jorge Silva era o jornalismo. A imprensa escrita em Portugal deve-lhe muito do que é o seu ADN. Aquilo que é hoje deve-se em parte ao seu trabalho e ao seu génio. A criação de um prémio destes, além de honrar a sua memória, tem de servir para continuar a defender a perpetuação dos valores que defendia. Na investigação, na denúncia e no combate a amoralidade.

Teresa de Sousa

Jornalista do PÚBLICO

Bio

Maria Teresa Canto Silva de Sousa
Idade — 68 anos
Profissão — jornalista

Habilitações Literárias
Frequência da Licenciatura em Economia do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG), 1969 —1973
Pós-graduação em Prospectiva e Estratégia das Organizações pelo IESFF (1999-2000)

Actividade profissional
Redactora Principal do jornal Público, colunista.
Trabalhou anteriormente no semanário EXPRESSO e na RDP
Comentadora de política europeia e internacional da RDP
Responsável pelo programa Mais Europa da RTP-Informação

Obras publicadas
“Mário Soares – uma biografia”, 1988
“Portugal no Centro da Europa” (co-autoria), 1996
“Portugal 2020” (co-autoria), 1999
“Euro – para além da moeda” (co-autoria, 2002)
“One Europe” (co-autoria, 2005)
“Portugal Tem Saída” – conversas com Mário Soares (2011)
“Conversas sobre a Crise” com Luís Amado
“Europa Trágica e Magnífica” (crónicas, 2017)
“A Europa e o Presente” (2019)

Condecorações
Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique
Académica da Academia Internacional da Cultura Portuguesa
Cavaleira da Ordem Nacional de Mérito da República Francesa
Chevalier de la Légion d’Honneur da República Francesa
Cavaleira da Ordem de Mérito do Reino de Espanha

Prémios
Prémio D. Antónia – 2015
Prémio Cidadão Europeu – 2017

Sobre o Vicente Jorge Silva

Ainda hoje e creio que para sempre
Teresa de Sousa

Há pessoas que fazem parte da nossa vida. À distancia ou ao nosso lado, estão lá. Quase sempre. Fazem parte do que somos. Quando partem, levam com elas uma parte de nós. Pequena, grande? Pouco importa. É sempre uma dor. Uma pedra. Uma saudade. Um vazio. O Vicente foi importante na minha vida, por isso levou um pedaço com ele. Esta é a parte da perda. Vem a seguir a parte da memória.

Era um ser insubmisso e livre. Conheci muito pouca gente tão insubmissa e tão livre. Foi a primeira lição de tudo o que aprendi com ele. Foi o jornalista com quem mais aprendi a ser jornalista. Tinha imensos defeitos e enormes qualidades. Era temperamental e frio, ao mesmo tempo. Exagerado e simples. Intuitivo e racional. Polémico e excessivo. Trabalhava com paixão, mas nunca se desviava do rigor e da verdade ou daquilo que mais se aproximava da verdade. Da independência possível. Nisso, era absolutamente intransigente. E tremendamente exigente. Tivemos discussões monumentais nas turbulentas madrugadas do fecho da revista. Ainda no Expresso. A Revista do Expresso. Mas, no fundo, aquilo a que eu mais aspirava era ouvi-lo dizer: “Bom texto, Sousinha”. Quando me perguntou se queria ir com ele para fundar o PÚBLICO, não o deixei acabar a frase.

O PÚBLICO foi a nossa grande aventura. Só ele teria a ousadia, a ambição e a visão de construir neste país um jornal como os grandes jornais europeus. Estávamos em 1989. O ano em que tudo era possível. Caia o Muro. Gorbatchov descongelava o mundo. “O homem que descongelou o mundo”. O título genial de uma das grandes capas que marcaram a história do jornal. A síntese perfeita desse tempo. Dele. Nos momentos em que se aproximava da genialidade. Escancarou as portas e as janelas da imprensa portuguesa ao mundo e o mundo passou a fazer parte integrante do jornalismo português. Foi, talvez, a sua maior contribuição – a sua imensa contribuição – para a história da nossa democracia. Não suportava a ideia de que o noticiário internacional fosse uma simples nota de pé página. O PÚBLICO também nasceu desta irritação.

Tinha a paixão pela política no sentido mais lato e mais nobre da palavra. Era isso também que eu partilhava com ele. Um dia, discutimos um partido que fosse ao mesmo tempo moderado e radical. Era um individualista no melhor sentido da palavra. Um espírito radicalmente livre. Não se daria nunca bem com as regras de um partido político. Por isso, a sua experiência no PS foi tão curta. Descrevia-a como falava. Com gestos largos, exagerados, quase cómicos. Como descrevia a vida. Encontrávamo-nos às vezes no supermercado da nossa rua. Ficávamos a conversar em voz muito alta, com toda a gente a olhar para nós, porque o Vicente ouvia mal. Na última vez, já em plena pandemia, exagerámos no toque dos cotovelos, na mascarada das máscaras, no lado “demencial” – era uma palavra sua – da situação. Trocávamos mensagens sobre os nossos textos no PÚBLICO. Eu, como no primeiro dia da minha vida no Expresso – há tantos anos – ainda ficava feliz com cada um dos seus elogios. O que posso dizer mais? Que eles são as condecorações que trago ao peito. Ainda hoje e creio que para sempre.

Daniela Santo

Jornalista reformada da RDP Madeira

Bio

 

Em 1976, num tempo de sonhos, de um novo amanhecer, num país que acordava do silêncio, iniciei a minha carreira de jornalista . A RDP, rádio pública, foi a minha vida durante quase 40 anos. A rádio foi uma paixão à qual dei voz e alma.

Sobre o Prémio

A defesa de uma imprensa livre e da liberdade, é talvez o maior legado de Vicente Jorge Silva. O Prémio de Excelência é importante para manter vivos os ensinamentos do Vicente. A iniciativa da Imprensa Nacional Casa da Moeda é um desafio aos jovens jornalistas para que nos surpreendam com histórias, entrevistas, reportagens surpreendentes e extraordinárias.

Sobre o Vicente Jorge Silva

Homem de múltiplos talentos, é como jornalista que recordo Vicente Jorge Silva com saudade. A inovação é a marca de todos os projectos em que se envolveu, a começar pelo “Comércio do Funchal”, um projecto que abraçou aos 21 anos. Num meio pequeno como o Funchal, Vicente e os amigos conseguiram negociar com os censores assuntos impensáveis na imprensa do continente. O Jornal cor-de-rosa foi um sucesso. Anos mais tarde, primeiro no Expresso e depois no Público, ofereceu-nos um jornalismo aberto ao mundo com critérios de rigor e independência.